Conciliar o turismo com a mobilidade, o desafio do Porto

A difícil tarefa de conciliar o turismo com uma mobilidade ativa, segura e sustentável é um desafio que a Capital do Norte superou com nota alta. A sua particular receita do sucesso baseia-se na pedonalização do centro, na restrição de elétricos e tuk-tuks ou na ampliação da rede de ciclovias, entre outras medidas. Com diferença, a aposta da cidade lusa pelo parking porto dissuasor também foi determinante.

Na metrópole portuense, a proporção de turistas por habitante é uma das maiores da Europa. Além de modernizar a sua infraestrutura de estacionamentos, a Câmara Municipal do Porto acertou ao criar numerosos parkings dissuasores ou park and ride na periferia. O seu objetivo é simples: descongestionar o centro urbano incentivando o estacionamento na periferia e o uso do transporte público. Destacam-se os do Estádio do Dragão, a Casa da Música, o centro comercial Via Catarina ou Vila Nova de Gaia.

Paralelamente, as autoridades portuenses repensaram o seu centro histórico e concederam um maior protagonismo ao espaço pedonal. Tanto é assim que hoje a maior parte do seu centro monumental só pode transitar-se a pé. A criação de novos eixos de mobilidade ‘eco’ dá o seu contributo, como demonstra a reserva do nível superior da ponte Dom Luís I para a circulação de peões e do metro.

Outro dos seus acertos é a vaga de restrições que certos meios de transporte receberam nos últimos anos. Assim, a saturação das ruas principais que produziam os tuk-tuks ou os elétricos clássicos é coisa do passado. 

Para contentamento do público ciclista, o Porto propôs-se alcançar a neutralidade de carbono (Net Zero) com uma melhoria generalizada da infraestrutura reservada às duas rodas. Hoje a sua rede de ciclovias supera os cinquenta quilómetros de extensão.